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Normas de Captura de Cães e Gatos

Considerando que cães e gatos vadios ou errantes, são um risco potencial para a Saúde Pública e, consequentemente, para o bem-estar das pessoas e dos animais;
Considerando que para se evitarem aqueles riscos há que controlar os citados animais vadios recorrendo, sempre que aconselhável, à sua captura;
Considerando que a captura de animais é uma tarefa difícil, tornando-se imprescindível que o pessoal que a executa tenha formação adequada à mesma;
Considerando que aqueles profissionais devem dispôr não só de equipamento adequado de captura e de contenção, de cães e gatos, mas também de meios que os protejam dos animais que pretendem capturar e/ou conter;
Considerando que qualquer pessoa incumbida de capturar um dado animal, deve proceder de forma humanitária, não lhe provocando sofrimentos inúteis;
Considerando que a Sociedade Mundial para a Protecção dos Animais e a Organização Mundial de Saúde, estabeleceram já orientações sobre os métodos de captura mais aconselhados para cães e gatos.
Tendo por base de referência as supracitadas orientações, esta Direcção Geral passa a indicar as “Normas sobre captura de cães e gatos”.

A. MÉTODOS DE CAPTURA
1. USO DE LOCAIS E ALIMENTOS ATRACTIVOS
Antes de qualquer tentativa de captura dever-se-á, numa primeira fase, atrair os animais para determinados locais, mediante colocação estratégica e sistemática de comida.
Desta forma, consegue-se concentrar um certo número de animais num espaço restrito e, posteriormente, seleccioná-los consoante a espécie (cães ou gatos) ou consoante a sua agressividade.
Se os animais assim agrupados forem dóceis, poderão ser imediatamente capturados; se, pelo contrário, forem agressivos, o facto de se encontrarem mais acantonados, torna qualquer outro método de captura, mais fácil de pôr em prática.

2. CAIXAS
Direcção de Serviços de Proteção Animal
O mesmo princípio de atrair animais para um isco, pode ser usado em sítios mais restritos, nomeadamente com recurso a caixas. Estas caixas devem ser de metal (de preferência inox) e ter uma porta de entrada que se feche por acção do peso do animal, através de mecanismo apropriado.
Apesar de ocuparem muito espaço nos veículos (caso não sejam rebatíveis) e de não permitirem uma limpeza fácil, são bastante seguras, quer para o pessoal, quer para o transporte dos animais capturados, principalmente se estes forem de temperamento agressivo.
Pelo exposto em 1. e 2., o método de “atrair animais para um isco” deve, em princípio, fazer parte de um programa de captura de cães e gatos.
As imagens abaixo apresentadas são exemplos de caixas para captura.

 

3. COLEIRAS E TRELAS
O uso combinado de uma coleira e de trela, em material suficientemente resistente, é o bastante para capturar cães dóceis.
Desta forma, a pessoa responsável pela captura, consegue dominar perfeitamente um animal de fácil manuseamento.

4. LAÇOS
A captura de cães com laços requer muita prática.
Existem muitos dispositivos (sistemas rígidos, sistemas flexíveis, etc) que permitem um nó corrediço, mas todos requerem considerável habilidade, especialmente quando se trata de cães muito agressivos e perigosos.

4.1. Laço em “sistema rígido”
Consiste num cabo de material rígido (alumínio, etc) com um laço ajustável a cada animal. O laço é colocado em redor do pescoço e o seu diâmetro consegue manter-se constante (não havendo risco de estrangular o animal), graças à existência de um dispositivo manual que também permite uma libertação rápida do mesmo, quando necessária.
Este sistema permite manter o animal a uma distância de segurança para o pessoal que executa a captura.
Os diagramas 1 e 2 exemplificam este tipo de laço.

DIAGRAMA 1

DIAGRAMA 2

 

4.2. Laço em “sistema flexível”
É constituído por um arco de metal mais ou menos flexível e por uma porção que se adapta ao pescoço do cão (através de um impulso emitido na pega pelo operador).
Tem a vantagem de poder ser usado apenas com uma mão e de ser bastante rápido, o que permite à pessoa que o utiliza, capturar um animal mesmo em corrida.

5. REDES
A captura de cães e gatos com redes, pode ser conseguida desde que a rede seja de tamanho adequado, e que a pessoa que a manipule esteja devidamente treinada para o efeito.
Para facilitar a tarefa, o pessoal pode e deve socorrer-se, previamente, do uso de locais e de alimentos atractivos (iscos) conforme expresso em 1.

5.1. Rede “de andar”
Consiste numa rede comprida (similar às usadas no ténis), a qual é bastante útil para capturar cães em espaços amplos.
A rede tem que ser manipulada por duas pessoas, de modo a formar-se uma “barreira” (de preferência, perto de paredes para se reduzir o espaço de manobra do cão), a qual se vai deslocando lentamente em direcção ao animal.
As medidas desta rede devem ser aproximadamente as seguintes:

  • Comprimento, 5,5;
  • Largura, entre 1m e 1,5m.

5.2. Rede “de arremesso”
5.2.1. Rede “bordeada” a corda
É uma rede cujo tamanho aconselhável é de 2,6m x 2,6m e que em todo o seu bordo apresenta, entrelaçada, uma corda relativamente pesada, de forma a facilitar o seu arremesso.
Permite capturar cães e gatos com eficiência.

 

5.2.2. Rede com arco
Dever-se-á usar na captura de cães e gatos que não permitam fácil aproximação.
Consiste num arco de tubo metálico (de alumínio, por exemplo), no qual se adapta uma rede circular em “fundo de saco”. Quando o conjunto é arremessado ao animal, o peso do arco mantê-lo-á aprisionado por debaixo da rede, mesmo que se debata, na tentativa de fugir.
Este tipo de rede pode ser facilmente atirada à distância, permitindo também capturar animais em corrida.

6. APLICAÇÃO DE SUBSTÂNCIAS IMOBILIZADORAS À DISTÂNCIA
Cães muito agressivos, situados em locais inacessíveis (ou por exemplo, suspeitos de terem raiva), podem ser imobilizados à distância, através de setas ou flechas lançadas por meio de pistola adequada. Estas setas ou flechas contêm substâncias imobilizadoras sendo a ketamina hidroclorido e a xilasina, as mais comumente usadas.
Nos cães, a combinação destas duas substâncias é a mais recomendada.
A substância imobilizadora só começará a produzir efeito, passados cinco minutos da administração ter sido feita, desde que esta se tenha processado por via intramuscular.
Assim, para maior rapidez de actuação e, consequentemente, maior probabilidade de acerto no animal pretendido (isto é, no seu tecido muscular), dever-se-á atirar a seta ou flecha de uma distância inferior a 50 metros relativamente ao animal, evitando tanto quanto possível, as zonas do corpo pouco irrigadas e com grande percentagem de gordura.
Não pode ser usado nem em cães nem em gatos de pequena estatura, porque lhes provoca danos graves.
Este método de captura só poderá ser empregue por pessoas muito bem treinadas e experimentadas e todo o material (setas, flechas) disparado tem que ser recuperado o mais cedo possível, visto que os restos de fármacos imobilizadores que nele persista, são um perigo potencial para outros animais e para os seres humanos, especialmente, as crianças se com eles contactarem inadvertidamente.
Assim, sempre que houver necessidade de se utilizar este método aconselha-se que se previna a ausência de qualquer pessoa não envolvida nesta tarefa, durante a sua execução.

B. MATERIAL AUXILIAR
Para que o manuseamento dos animais a capturar (ou já capturados) se faça da maneira mais segura possível, pode o pessoal dispôr de uma variedade enorme de material auxiliar ao mesmo. Assim, pode e deve ser usado o seguinte material:

1. COLEIRAS E TRELAS
Para além de poderem ser usadas na captura de canídeos dóceis, podem também ser consideradas como material auxiliar de contenção, após o animal ter sido capturado por qualquer dos métodos expostos.

2. AÇAIMES
Convém que sejam de material relativamente resistente por forma a impedir que animais medrosos ou agressivos mordam o pessoal responsável pelo seu maneio, mas, ao mesmo tempo, não deverá apertar-lhe demasiadamente o focinho, nem o ferir.

3. TOALHAS DE PANO
Uma toalha enrolada em redor do pescoço de um cão braquicéfalo, é sempre preferível ao açaime, devido às fortes probabilidades de asfixia que o uso deste, pode causar nas raças com tal formato de crânio.
Também são de grande utilidade na contenção de gatos.

4. CAIXAS
Deverão ser adequadas ao tamanho de cada animal e de preferência metálicas (exemplo, inox). São sempre úteis para o transporte de animais indóceis ou suspeitos de raiva.

5. LUVAS
Protegem as mãos do pessoal dando-lhes maior segurança e permitindo um melhor manuseamento de animais agressivos ou gravemente doentes (ex: raiva, etc).
Importa que sejam de material muito resistente, preferivelmente, de couro.
Assim, existem luvas para várias finalidades:

5.1. Para uso geral

5.2.  Para maneio de animais suspeitos de raiva

5.3.  Para maneio de gatos ferozes

6. PROTECTORES DE BRAÇO
Feitos de lona bastante resistente, ou de couro.

7. FATO DE TRABALHO
Deverá ser em couro ou noutro material de resistência semelhante, por forma a proteger o corpo do técnico, das possíveis agressões por parte do animal e, assim, facilitar o seu manuseamento.

8. ESCUDO PROTECTOR
A usar na proteção contra cães.
Consiste num escudo transparente de policarbonato, com aproximadamente 66 cm de diâmetro e 3 mm de espessura.


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