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Peste des Petits Ruminants

(Fonte: Ficha informativa da Organização Mundial de Saúde Animal-OIE)

ETIOLOGIA
Classificação do agente
Vírus da Família Paramyxoviridae, género Morbillivirus. Antigenicamente próximo do vírus da Peste Bovina.

Resistência às acções físicas e químicas
Temperatura Vírus destruído a 50°C/60 minpH Estável entre pH 5.8 e 10.0; inativação a pH<4.0 ou >11.0Químicos/Desinfetantes

Susceptível ao álcool, éter e detergentes; susceptível à maioria dos desinfetantes, e.g. fenol, hidróxido de sódio 2%/24 horasSobrevivênciaSobrevive por longos períodos em tecidos refrigerados ou congelados

EPIDEMIOLOGIA
A peste des petits ruminants (PPR) representa uma das mais importantes doenças em termos económicos, nas áreas que dependem da produção de pequenos ruminantes. Os focos de doença tendem a estar associados ao contacto entre animais suscetíveis e animais provenientes de áreas endémicas.

  • Taxa de morbilidade 90-100% (população susceptível)
  • Taxa de mortalidade 50-100% (população susceptível)
  • Morbilidade e mortalidade inferiores em áreas endémicas e em animais adultos

Hospedeiros

  • Ovinos e especialmente caprinos. Predisposição ligada à raça em caprinos.
  • Até à data só foi diagnosticado em ungulados selvagens em cativeiro das famílias Gazellinae, Caprinae e Hippotraginae
  • Experimentalmente o veado da Virgínia (Odocoileus virginianus) é totalmente susceptível
  • Bovinos e suínos desenvolvem infeções inaparentes e não transmitem a doença
  • Pode estar associado a casos limitados de doença em camelos

Transmissão

  • Maioritariamente por aerossóis ou por contacto direto entre animais
  • Fomites podem constituir meios de disseminação da infeção
  • Sem estado de portador
  • Variações sazonais: focos mais frequentes durante a estação das chuvas ou a estação do frio seco

Fontes de vírus

  • Lágrimas, descargas nasais, expectoração e todas as secreções e excreções dos animais doentes ou em período de incubação

Ocorrência
A PPR foi inicialmente descrita na Costa do Marfim, mas ocorre na maioria dos países de África, a sul do Sahara e norte do Equador, e em quase todos os países do Médio Oriente até à Turquia. A doença também está disseminada na Índia e no sudeste da Asia. Recentemente incursões no Tibete e em Marrocos causaram sérios focos de doença e a doença tem sido relatada movendo-se para sul na Africa Oriental.

Distribuição da doença em 2011

A PPR nunca ocorreu em Portugal
DIAGNÓSTICO
O período de incubação é de 4 a 6 dias, podendo variar de 3 a 10 dias. Para efeitos do Código Terrestre do OIE, o período de incubação da PPR é de 21 dias.

Diagnóstico Clínico:
Forma aguda

  • Subida súbita da temperatura (40-41°C) com efeitos sobre o estado geral: inquietação, pelo baço, focinho seco, diminuição do apetite
  • Descarga nasal serosa que se torna mucopurulenta e que resulta por vezes num profuso exsudado catarral que forma crostas e obstrui as narinas.
  • Desconforto respiratório
  • Gengivas hiperémicas e lesões erosivas na cavidade oral com hipersalivação, nos 4 dias seguintes à subida de temperatura
  • Pequenas áreas de necrose na mucosa nasal
  • Congestão da conjuntiva, formação de crostas no ângulo mediano do olho e por vezes conjuntivite catarral profusa
  • Estomatite necrótica com halitose é frequente
  • Diarreia sanguinolenta severa em estádios avançados
  • Broncopneumonia evidenciada por tosse é um achado frequente
  • Aborto
  • Desidratação, emaciação, dispneia, hipotermia e morte em 5 a 10 dias
  • Convalescença longa nos sobreviventes

Forma hiper-aguda

  • Frequente nos caprinos
  • Hipertermia, depressão e morte
  • Mortalidade mais elevada

Forma subaguda

  • Frequente em algumas áreas devido à susceptibilidade da raça local
  • Desenvolvimento em 10-15 dias com sintomas inconsistentes
  • Febre e descarga nasal serosa
  • Diarreia que pode resultar em desidratação e prostração

Lesões:
Lesões semelhantes às observadas na peste bovina, com exceção de crostas proeminentes nos lábios e pneumonia intersticial severa que só aparecem na PPR.

  • Magreza, conjuntivite, estomatite erosiva estendendo-se à face interna do lábio inferior, à parte adjacente das gengivas, perto das comissuras e à parte livre da língua
  • Lesões do palato, da faringe e do terço superior do esófago nos casos mais graves
  • Os compartimentos gástricos raramente apresentam lesões
  • Vestígios hemorrágicos e em certos casos erosões na porção proximal do duodeno e no íleo terminal
  • Necrose extensa e por vezes ulceração severa das placas de Peyer
  • Congestão em redor da válvula ileocecal, na junção ceco-cólica e no recto; congestão da parte posterior do cólon em forma estriada
  • Pequenas erosões e petéquias na mucosa nasal, cornetos, laringe e traqueia
  • Broncopneumonia (constante)
  • Possibilidade de pleuresia e hidrotórax
  • Congestão do baço e esplenomegalia
  • Congestão, tumefacção e edema da maioria dos gânglios linfáticos
  • Vulvovaginite erosiva possível

Diagnóstico diferencial:

  • Peste bovina
  • Pleuropneumonia contagiosa caprina
  • Febre catarral ovina
  • Pasteurelose
  • Ectima contagioso
  • Febre aftosa
  • Cowdriose
  • Coccidiose
  • Intoxicação mineral

Diagnóstico Biológico:
Amostras

  • Zaragatoas conjuntivais, nasais e orais
  • Sangue com EDTA
  • Soro
  • Nódulos linfáticos (mesentérico e brônquico), baço, pulmão

As amostras devem ser refrigeradas durante o transporte

Procedimentos:
Deteção e identificação do agente

  • Imunodifusão em gelose
  • Contra-imunoelectroforese
  • ELISA
  • Amplificação em cadeia por polimerase (PCR)
  • Isolamento em células primárias de rim de cordeiro ou em linha celular VERO
  • Imunofluorescência

Testes serológicos

  • Neutralização viral (prova prescrita no Manual do OIE)
  • ELISA de competição

PREVENÇÃO E CONTROLO

  • Não há tratamento específico
  • Os antibióticos podem prevenir as infecções pulmonares secundárias
  • (oxitetraciclina, clortetraciclina)

Profilaxia Sanitária:
Quando a doença surge num país anteriormente indemne de peste dos pequenos ruminantes

  • Rápida identificação, abate sanitário e eliminação dos animais infectados e seus contatos; carcaças queimadas ou enterradas
  • Quarentena rigorosa e controlo da circulação de animais
  • Limpeza e desinfeção das áreas contaminadas de todas as instalações, com soluções solventes de pH alto ou baixo e desinfetantes
  • Vacinação em anel e/ou vacinação das populações de alto risco
  • Monitorização de animais selvagens e de cativeiro

Situações endémicas

  • A medida de controlo mais comumente utilizada é a vacinação
  • Monitorização de animais selvagens e de cativeiro

Os animais expostos ou infetados devem ser abatidos e as carcaças destruídas por incineração e enterradas

Profilaxia Médica:

  • Vacina homóloga
  • Vacina atenuada
  • Estão atualmente em estudo vacinas recombinantes

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