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Política dos 3Rs

A legislação incorpora os princípios de substituição de animais por métodos alternativos mais realistas à experiência que vai ser realizada, de redução do número de animais utilizados e de refinamento de técnicas e procedimentos para reduzir o impacto negativo que a utilização causa nos animais, princípios estes a que genericamente se apelida de “Política dos 3Rs”.

O bem-estar animal, e o potencial para que a dor, a angústia e o stress a serem experienciados pelos animais usados para fins científicos, têm preocupado o público em geral e os investigadores durante muito tempo.

Foram estas preocupações, conjuntamente com o crescente uso de animais em investigação fundamental e aplicada que motivaram W.M.S. Russell e R.L. Burch a examinar como as decisões devem ser feitas sobre este uso que é dado aos animais.

A Política dos 3Rs enunciada por estes investigadores em 1958, consta dos três princípios:
• Replacement (Substituição)
• Reduction (Redução)
• Refinement (Refinamento)

Nos passados 50 anos, em muitos países do mundo, estes três princípios têm-se tornado princípios éticos largamente aceites que têm sido devidamente incorporados na legislação de “proteção dos animais para fins experimentais e/ou científicos” e que se implementam quer substituindo animais por métodos alternativos mais realistas à experiência que vai ser realizada, quer reduzindo o número de animais utilizados e quer, ainda, através do refinamento de técnicas e procedimentos para reduzir o impacto negativo que a utilização causa nos animais.

A legislação requer que os investigadores tenham em atenção os 3Rs quando se estão a preparar para usar animais para um determinado objetivo científico, isto é, que desde os estadios mais precoces do planeamento da investigação e do desenvolvimento do protocolo experimental, se empenhem em implementar as três vertentes implícitas desta política. Deverão, pois, considerar se será mesmo preciso utilizar animais e se existem alternativas de Replacement adequadas. Quando são usados animais, o investigador tem que considerar como melhor reduzir o número de animais usados ao mínimo e/ou como maximizar a quantidade de informação obtida por cada animal (alternativas de Reduction) e tem que identificar os potenciais danos a infligir aos animais e as formas de os minimizar (alternativas de Refinement)

Replacement

Refere-se aos métodos que evitam ou substituem o uso de animais numa área em que os animais, de outra maneira, seriam usados. Isto inclui quer Substituições absolutas (i.e., subsituir animais por sistemas inanimados, tais como programas de computador, etc) e Substituições relativas (i.e., subsituir animais mais sencientes, tais como vertebrados, por animais que a evidência científica corrente indica terem um potencial significativamente mais baixo para a percepção da dor, tais como alguns invertebrados).

Exemplos incluem:

• Linhas celulares animais estabelecidas;
• Células animais, tecidos e órgãos colhidos de animais (invertebrados ou vertebrados de menor sensibilidade neuro-fisiológica) eutanasiados ;
• Material recolhido em matadouros;
• Uso de animais invertebrados, tais como Drosophila e vermes nemátodes;
• Uso de micro-organismos;
• Modelos de computador;
• Modelos químicos;
• Uso de plantas.

Reduction

Refere-se a métodos que minimizem o uso de animais e permitam aos investigadores obter níveis comparáveis
de informação com menos animais ou obter mais informações com o mesmo número de animais, reduzindo assim
o uso futuro de animais adicionais.


Exemplos incluem:

• Desenho experimental e análise estatística melhoradas;
• Uso de técnicas de imagiologia modernas;
• Partilha de dados e de recursos.

Refinement

Refere-se à melhoria dos procedimentos científicos e de produção animal, que minimizem a dor real ou potencial, o sofrimento, a angústia ou os danos permanentes a infligir aos animais e/ou melhorar o bem-estar animal de um animal usado para fins científicos, em situações onde o uso de animais é inevitável, desde o momento em que nasceu até à sua morte. A chave para a implementação de alternativas de Refinement é a consideração da experiência de toda a vida do animal, e não apenas a experiência que o animal irá ter durante o tempo a que é submetido a uma utilização científica. Para além disto, há evidências de que o Refinement beneficia não só os animais mas, também, melhora a qualidade dos resultados da investigação e, como tal, deverá ser sempre implementado da forma mais completa possível.

Exemplos incluem:

• Uso de técnicas não-invasivas;
• Usar protocolos anestésicos e analgésicos adequados para o alívio da dor;
• Treino de animais por forma a que venham a cooperar na realização de determinados procedimentos (por exemplo, a colheita de amostras de sangue) e para que os mesmos animais tenham menos stress;
• Garantir que a forma como se faz o alojamento dos animais atenda às suas necessidades específicas (por exemplo, oferecendo oportunidades para os animais se esconderem, fazer ninho, etc).



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